ARTIGOS

A precariedade física da rede escolar

05 de Maio de 2014
Por O Globo

 É do folclore da política brasileira que governante não gosta de obra que não possa ser vista pelo eleitor. Daí, diz-se com razoável dose de malícia, o vergonhoso atraso no saneamento básico, pois canos e manilhas se escondem debaixo da terra.

 
Não é tão simples assim, mas não se discute que certos gastos públicos — ainda mais num país com grandes bolsões de pobreza como o Brasil — costumam dar maior retorno em votos, e em prazo mais curto do que outros. Despesas de cunho assistencialista, sem discutir sua necessidade, estão neste caso, enquanto despesas estratégicas para o futuro da sociedade, porém de lenta maturação, tendem a ficar em segundo plano.
 
Infelizmente, a Educação é um exemplo. Virou lugar comum na vida pública nacional apoiar investimentos em Escolas, no aprimoramento do Professorado e assim por diante. Desde a Era FH, passando pelos governos do PT (Lula e Dilma), têm sido feitos esforços no setor. Mas alguns levantamentos são desanimadores.
 
Informações coletadas pelo Movimento Todos Pela Educação mostram, por exemplo, que apenas 4,2% das Escolas da rede pública têm toda a infraestrutura estabelecida como adequada pelo Plano Nacional de Educação (PNE) — pouco mais de seis mil em 151 mil estabelecimentos. Uma indigência assustadora. No período de 2009 ao ano passado, houve um aumento de apenas 1,09 ponto percentual no número de Escolas minimamente adequadas do ponto de vista dos equipamentos.
 
A penúria não é constatada apenas em itens mais “modernos”, digamos, como computadores. É de pasmar, mas dados do Censo Escolar do ano passado, pesquisou O GLOBO, denunciam a existência de 8,2 mil Escolas sem luz elétrica.
 
A rede pública está até mesmo mais conectada à internet (40,7%) do que ao sistema de coleta de esgoto e fornecimento de água tratada (35,7%). Elevados 8% dos estabelecimentos não são atendidos por qualquer sistema formal de abastecimento. Apenas os Alunos de 30% da rede contam com bibliotecas e quadras esportivas. E mais de 90% não contam com laboratórios de ciência.
 
Há estudos sobre quais os investimentos prioritários em Educação. A remuneração e qualificação dos Professores são despesas prioritárias, mas também é identificada uma relação estreita entre a situação física da Escola e o aproveitamento dos Alunos.
 
Autoridades do setor costumam lembrar que já foi pior. É certo, mas a justificativa não consegue ofuscar o diagnóstico de que, apesar de todo o discurso a favor da Educação, quando chega a hora de se distribuir os recursos provenientes de pesados impostos, governantes continuam com outras prioridades. Não seria difícil estabelecer uma política nacional para, em um ou dois anos, acabar com toda esta precariedade, ou maior parte dela. Porém, não há vontade política, apesar de todo palavrório — está demonstrado. 

O Globo

 
 
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