ARTIGOS

Educação brasileira: uma visão filosófica

05 de Maio de 2014
Por Revista Filosofia

 Os problemas da educação no Brasil são vários: um País gigante, marcado por enormes diferenças socioculturais, sobretudo pela pobreza e pelo desinteresse dos governos no que tange a educação de seus tutelados. Não é fácil resolver um problema assim, nem o desejamos ou temos competência para tal, porém alguns problemas podem ser resolvidos com o incentivo e a permissão da liberdade de se realizar um dos atos mais simples que nos é permitido: o ato de pensar. O pensamento livre gera, queiramos ou não, uma ação, e Sartre deixa claro que a única coisa que não podemos fazer é não escolher, pois não escolher já é em si mesmo uma escolha.

 
Hoje a educação tem conseguido chegar aos lugares mais distantes por meio da internet, mas a verdadeira educação não é apenas a transmissão de conhecimentos acadêmicos para esses alunos, e esses alunos igualmente não precisam se abastecer dessa enorme quantidade de conhecimentos apenas para retransmiti-las aos seus futuros alunos, em um círculo vicioso que pode chamar-se de tudo, menos de um "processo educacional".
 
O existencialismo nos diz que estamos todos realmente condenados a "liberdade", pois "escolhemos" nosso destino e com isso, o destino de todos aqueles que nos cercam, por isso nossa angustia, de sabermo-nos responsáveis não somente por nós mesmos, mas por todo o planeta. Mas essa nossa resignação, esse nosso conformismo com a situação na qual toda a sociedade está mergulhada e que a nosso ver parece-nos algo totalmente "natural nos permitiria ver que não somos realmente livres, independente de nossas escolhas e de nossas vontades? Essa é a importância de se discernir o que é e como deve ser a educação: será que estamos mesmos libertos?
 
Existencialismo e Educação
 
Jean Paul Sartre, em sua filosofia existencialista dizia que a existência precede a essência, ou seja, que o ser humano primeiro vai existir para somente depois disso se definir, escolher e agir conforme lhe aprouver, e não ao contrário como diziam os cristãos - que o ser humano já vinha com uma essência para ser bom ou ruim pré-definida por Deus - para Sartre, é o ser humano, e não Deus, que irá construir sua essência a partir de sua existência. Sendo assim, o ser humano pode escolher entre o bem e o mal, o que não lhe será possível é não escolher, pois mesmo não escolhendo já está agindo e nesse ato, acaba levando consigo a responsabilidade dessa ação, pois a condição humana é a de estar no mundo, de existir, de escolher ou não, de se acomodar ou de se redefinir dentro de seu projeto de vida, já que é o ser humano que se define e se torna aquilo que escolher ser: o ser humano é aquilo que é por sua própria decisão. E para construir sua essência, tudo que ele fizer dependerá única e exclusivamente de suas decisões, optando por tornar-se livre ou autêntico, ou simplesmente acomodar-se, permanecendo inautêntico, perdendo sua identidade em meio ao rebanho social, tornando-se o que Sartre vai chamar de homem de má fé, pois culpará a Deus e aos demais, pelo que sua essência se tornou, e sua covardia não lhe permitiu assumir o risco da liberdade. "Assim, o primeiro esforço do existencialismo é o de pôr todo homem no domínio do que ele é e de lhe atribuir a total responsabilidade por sua existência." (Sartre, pg. 6).
 
Se, por outro lado, o ser humano quiser assumir tal risco, enfrentará a possibilidade da morte, a finitude do ser, o nada, que o levará a angústia diante do fato de reconhecer que tanto sua vida quanto seus projetos terão um fim e por saber-se responsável, diante de suas escolhas, não apenas por si mesmo, mas por todos os outros seres que o cercam, porém reconhecendo nessa angústia o caminho que o levará a tornar-se um ser autêntico, construidor de sua própria essência: "[...] o homem ligado por um compromisso e que se dá conta que não é apenas aquele que escolhe ser, mas de que é também um legislador pronto a escolher, ao mesmo tempo que a si próprio, a humanidade inteira, não poderia escapar ao sentimento da sua total e profunda responsabilidade". (Sartre, pg.7)
 
Diferente do imperativo categórico de Kant, que diz : "Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal", conforme é descrito no artigo de a  Mauro Celso Destácio, Sartre não universaliza a escolha do agir dessa ou daquela maneira, mas coloca que esse ou aquele modo de vida pode ou não ser possível, mas é cada um que deve escolher seu caminho, escolha o bem ou o mal estará sozinho nessa decisão que envolverá os demais seres, se for bom para ele, pode não ser bom para os demais, mesmo assim será uma escolha dele, sendo que pode não ser bom nem aos demais e posteriormente nem mesmo à ele, porém mais uma vez ele será o único responsável por isso, já que for exercida sua própria liberdade no exato momento desse decidir, desse agir em meio a sociedade, o que o levará a consequência dessa ação e a novas escolhas e assim até autoconstruir-se.
 
Por isso o existencialismo de Sartre nos diz que educar é possibilitar a construção dessa essência humana por meio da liberdade, transformando o ser humano de um ser inautêntico para um ser autêntico, desde que ele escolha isso, tirando- o da massa social cheia de determinismos e dogmatismos, fazendo-o correr o risco de tornar- se diferente dos demais e de ser muitas vezes punido por isso, de angustiar-se diante disso, mas possibilitando-o de construir a si mesmo.
 
Se, por outro lado, a educação for mera reprodutora, for dogmática e impositora de antigos conceitos sem respeitar a liberdade dos seres, tal educação não serviria para Sartre, pois manteria os seres humanos nessa massa social submissa da qual a escolha pela liberdade poderia arrancá-los.
 
Para o existencialismo a educação deve ser aquela que irá libertar os seres humanos dessa moral de aceitação e submissão onde a sociedade se encontra presa, permitindo que cada ser humano se construa a si mesmo, pois optando pela liberdade tal ser humano já demonstra coragem, atitude e mais do que isso, responsabilidade não apenas por si mesmo. E deve ser, para o existencialismo, a educação que deverá mostrar esse caminho de escolhas e decisões, que deverá mostrar que a liberdade de cada um dos indivíduos está vinculada a responsabilidade pelos outros, já que para o existencialismo o ser humano, como ser individual, ao escolher não é responsável apenas por si mesmo, mas responsável frente suas escolhas por toda a humanidade, o que só pode ocorrer dentro de uma educação libertadora, que incentive o pensar e a reflexão, que ouça e que troque com outros seres, novos saberes, novas verdades, possibilitando que os seres humanos possam escolher, agir e construir cada um, sua própria essência.

Revista Filosofia

 
 
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