ARTIGOS

S.O.S educação pública

21 de Março de 2014
Por Folha de Boa Vista

 O Brasil avançou no quesito universalização do Ensino, mas a qualidade da Educação caminha a passos de tartaruga. Entra e sai governo, porém os problemas do setor educacional, sobretudo nos níveis estaduais e municipais, se arrastam.

De norte a sul, milhões de crianças têm de estudar em Escolas sem a mínima estrutura física. Em diversas localidades, tanto na zona rural quanto na urbana, não há sequer um prédio simples para abrigar os Alunos, os quais têm de frequentar as aulas em salas improvisadas. A maioria das unidades Escolares existentes apresentam graves problemas elétricos, hidráulicos e de infiltração por causa do péssimo estado de conservação dos telhados, dos forros e das paredes. Faltam carteiras, mesas para os Professores, quadros, bibliotecas, salas de leitura, auditórios, laboratórios de ciências, refeitórios, quadras poliesportivas, entre outros itens imprescindíveis ao bom funcionamento de qualquer instituição de Ensino.

Além disso, grande parte das Escolas não dispõe de recursos didáticos mínimos para facilitar a vida dos Professores no processo de Ensino-aprendizagem, os quais, de vez em quando ou quase sempre, metem a mão no minguado salário para custear material, a fim de dinamizar suas aulas. As Escolas bem equipadas geralmente são aquelas que arrecadam dinheiro com aluguel de cantinas e com a promoção de diversos eventos, tais como arraiais, festas juninas e venda de feijoada ou de rifa. Não é por acaso que centenas de Professores desenvolvem fendas e nódulos nas cordas vocais, pois têm de usar a voz à exaustão por falta de suporte pedagógico.
 
Há também falta de Professor em boa parte das Escolas públicas. Os recursos do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação básica), criado para estimular o magistério público, não vêm garantindo a devida valorização profissional, pois os governos se negam a repassar aos salários dos Professores o percentual de reajuste de acordo com o custo-Aluno anual. Como é sabido, muitos governadores, incluindo o de Roraima, ingressaram com ações na Justiça para impedir o cumprimento da Lei do Piso. Os planos de carreira, em todos os níveis, não estimulam aqueles que almejam cursar uma licenciatura para ingressar no magistério. E, para agravar a situação, os governos não cumprem as leis, omitindo-se de pagar, por exemplo, as progressões devidas. Assim, esvaziam-se os cursos de licenciatura nas universidades públicas e privadas e, consequentemente, faltam Professores nas Escolas. Os poucos Professores existentes acabam trabalhando dobrado, submetendo-se a uma dupla ou tripla jornada de trabalho, a fim de suprir a demanda do sistema e, ao mesmo tempo, melhorar a renda familiar.
 
Somando-se a isso, há uma carência de recursos humanos na área de gestão Escolar. Poucas Escolas dispõem de um quadro de pessoal completo, com orientadores educacionais e coordenadores pedagógicos, para dar suporte aos administradores nas áreas pedagógica e psicossocial. Por outro lado, geralmente os administradores são indicados por políticos, que estão preocupados única e exclusivamente em se perpetuar no poder. Com raras exceções, a maioria dos indicados não tem a menor competência para o exercício do cargo nem autonomia financeira para desenvolver um trabalho capaz de mudar a realidade cruel daqueles que dependem da Escola para suplantar a miséria e o obscurantismo intelectual.
 
Grosso modo, são esses os principais problemas crônicos da Educação brasileira, sem contar a corrupção, responsável diretamente por boa parte deles. Além de exigir mais verbas, por exemplo, 10% do PIB e os royalties do Pré-Sal, o povo brasileiro precisa aprender a votar e a exigir dos governantes não só o acesso à Escola, mas também uma Educação pública de qualidade.

Folha de Boa Vista

 
 
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